La Belle Époque

Suntuosidade, luxo, beleza, glamour, ostentação, são palavras que podem definir o período que vai da década de 1890 até o início da Primeira Guerra Mundial em 1914.
A belle époque – bela época em francês – foi um período marcado por grandes bailes, festas, jantares em casas de campo, onde tudo era muito extravagante e os gastos eram enormes. Não existia a preocupação com racionamentos, pelo contrário, tudo era muito exagerado. A cidade luz, ou seja, Paris, era a capital do luxo, sendo a grande estrela daquela época.

A moda refletia este ambiente de ostentação, afinal a moda é sempre um reflexo da sociedade, do comportamento, da cultura.

Torturantes e apertadíssimos espartilhos são os responsáveis pela silhueta que marcou esta época.  O corpo visto de frente se assemelhava a uma ampulheta e de perfil um “s”. Quase como uma armadura, os espartilhos deixavam o corpo rígido na frente, levantando o busto e jogando os quadris pra trás. É importante ressaltar que a moda era ter uma cinturinha de pilão, de absurdos 40 cm de diâmetro.

As saias tinham formatos de sino, deslizando pelos quadris e abrindo em direção ao chão. Não se usava mais as anquinhas (espécie de armações, localizadas na altura do bumbum, que acentuavam o derriè), mas o volume das saias e seu formato de sino faziam com que o corpo ficasse bastante curvilíneo. Tudo era muito adornado por rendas, revelando muita feminilidade.

Durante o dia não se usava decotes. O corpo ficava escondido dos pés até as orelhas. Mãos eram cobertas por luvas. Usava-se botas para cobrir as canelas, e as golas dos vestidos ou blusas eram muito altas, com babados. Os cabelos ficavam presos no alto da cabeça e os chapéus eram quase sempre adornados com plumas. Era bastante comum também o uso de sombrinhas como acessório, e bolsas de delicadas dimensões. Também era comum usar leques para espantar o calor.

A noite, nos grandes bailes, os decotes apareciam. Os decotes eram extravagantes e os vestidos extremamente glamourosos. Luvas compridas podiam cobris os braços.

Curiosidade - Alguns autores afirmam que foi no ano de 1880 que o tailleur passou a fazer parte do guarda-roupa feminino. O responsável por isso foi o costureiro britânico radicado em Paris, John Redfern, que propôs ao guarda-roupa feminino um casaqueto acompanhado de saia longa e rodada. A então princesa de Gales, Alexandra – rainha da Inglaterra de 1901 a 1925 – aderiu à proposta, popularizando o tailleur feminino.

Princesa Alexandra, 1880

Os trajes masculinos aceitos para as ocasiões formais eram compostos de sobrecasaca, terno e cartola. Informalmente, os chapéus de palha eram muito populares. As calças tendiam a ser estreitas e curtas. Colarinhos de linho branco eram engomados e bastante altos, assim como as golas que as mulheres usavam. Os jovens usavam as calças com bainhas viradas e vincos na frente. Barbas e bigodes bem cuidados era quase que uma obrigatoriedade.

Traje Masculino

Em 1980 a silhueta feminina começou a se tornar menos rígida. O busto já não era tão mais empurrado para frente o o quadril para trás. Os chapéus se tornaram maiores, sando a impressão que os quadris eram mais estreitos. Mas foi em 1910 que houve uma mudança fudamental na moda. Houve um forte orientalismo, devido ao impacto do balé russo com a produção do balé de repertório Sherazade. As cores fortes e espalhafatosas foram adotadas pela sociedade e os corpetes rígidos e as saias de sino foram substituídos por suaves drapeados.

Curiosidade – As saias se tornaram mais afuniladas que impediam as mulheres de darem passos maiores que oito centímetros. Para que não dessem passos mais largos e acabassem por rasgar as saias, mulheres usavam uma espécie de liga que amarrava uma perna à outra!

A silhueta agora passa a ser um triângulo invertido, e as rendas substituídas por botões pregados em lugares inusitados. Em 1913 os vestidos deixam de ter golas que vão até as orelhas e o decote em V passa a ser usado no dia a dia. Muitos consideraram esta mudança como exibição indecente e os médicos consideraram um perigo à saúde. “Blusa pneumonia”, eles diziam, à pobre blusa com decote V.

Semana que vem, conheça as mudanças que a Primeira Guerra Mundial trouxe à moda e comportamento. Até lá.

Fonte: LAVER, James – A Roupa e a Moda: uma história concisa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989
Baudot, François – Moda do Século. São Paulo: Cosac Naify, 2008.
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2 Responses to La Belle Époque

  1. ana beatriz disse:

    muito interessante!
    bjsssssssssss.

    [Reply]

  2. [...] da vida moderna – tem um figurino impecável, assinado por Beth Filipecki e sua equipe. A Belle Époque é traduzida lindamente, nos hábitos, costumes, cenários e figurinos impecáveis. Toda a equipe [...]

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