A moda da década de 20

Antes do início da Primeira Guerra Mundial,  a moda já estava sofrendo algumas mudanças bastante significativas. Porém, um evento desta magnitude fez com que mudanças radicais acontecessem na sociedade. Nada mais seria como antes, muitos aristocratas perderiam seus lugares na sociedade, automóveis começam a tomar lugar das carruagens, os cabelos femininos perdem o volume e ganham cortes curtos e os nada práticos espartilhos saem de cena.

Os tempos eram definitivamente outros, e a mulher já começava a tomar seu lugar na sociedade como  trabalhadoras e o numero de homens reduziu significativamente devido as baixas de soldados durante a conflito mundial.

Livres dos espartilhos, a silhueta se torna tubular. Nada mais de cintura marcada, e curvas acentuadas. Era como um grito de liberdade feminino. Há uma certa tendência à uma estética andrógina, e quando há alguma referência à cintura, ela se encontra mais abaixo, na altura dos quadris, como um mero adorno.

Se durante a guerra as saias começaram a perder comprimento, em 1925 elas encurtaram significativamente para escândalo dos mais conservadores. Agora cobriam apenas os joelhos. Nos EUA chegaram a ser elaboradas leis contra as tais saias. Mas a verdade é que os vestidos mais leves, soltos e curtos eram perfeitos para a febre da época: o Charleston. A dança, com seus movimentos frenéticos, jamais poderia ser executada por moças de espartilho, por exemplo. O Jazz era a música do momento, e a cultura negra ganhava espaço.

Os chapéus diminuíram, e o modelo preferido era o cloche, com o qual era praticamente impossível manter os cabelos longos e volumosos. Os cortes femininos passaram a ser curtíssimos, e devido a eles, moças podiam ser facilmente confundidas com rapazes novos das escolas. O penteado tinha o nome de la garçonne. A única coisa que diferenciava as moças dos rapazolas eram os lábios pintados de cor carmim, em formato de coração e as sobrancelhas marcadas a lápis. Esta era a maquiagem da época.

Chanel

A década de 20 foi da estilista Coco Chanel, com seus cortes retos, capas, blazers, cardigãs, colares compridos, boinas e cabelos curtos. Durante toda a década Chanel lançou uma nova moda após a outra, sempre com muito sucesso. – Almanaque Folha

As moças não usavam suas novas saias curtas com a perna totalmente à mostra, usavam meias-calças no tom da pele, o que dava apenas a impressão de pernas nuas, em estar, e ainda assim escandalizaram. Obviamente os fabricantes de meias de seda se beneficiaram desta mudança na moda, porém os fabricantes de tecido se sentiam prejudicados com o encurtamento das saias. Isto significava a utilização de menos tecido para fazer as roupas e por isso houveram tentativas de alongar novamente as saias.

Estas tentativas obtiveram um relativo êxito nos vestidos de noite. Relativo, pois, as saias continuaram curtas, mas às vezes traziam uma sobre-saia de gaze, ou se acrescentevam painéis mais longos nas laterais. E durante um ano se aderiu ao uso de vestidos curtos na frente (batendo na altura dos joelhos) e bastante longos atrás, chegando a arrastar no chão.

O período era de mudanças também no campo das artes, surgindo a Art Decó. Art Déco foi um movimento que se manifestou na arquitetura, nas artes plásticas, no design gráfico, e no design industrial e tinha como principal característica um estilo simples, e mais geométrico, diferente da Art Noveau que era mais rebuscada.

Importante ressaltar que no Brasil, em 1922 se deu a Semana de Arte Moderna, realizada por intelectuais, como Mário de Andrade e Tarsila do Amaral, levou ao Teatro Municipal de São Paulo artistas plásticos, arquitetos, escritores, compositores e intérpretes para mostrar seus trabalhos.

A Semana de Arte Moderna foi o grande acontecimento cultural do período, que lançou as bases para a busca de uma forma de expressão tipicamente brasileira, que começou a surgir nos anos 30.  O evento também influenciou a moda do período que foi bem retratado no figurino das novelas O Cravo e A Rosa e Chocolate com Pimenta, pelos grafismos das estampas das roupas da personagem Catarina, por exemplo.

A década de 1930 traz de volta os vestidos longos e a cintura no lugar, mas isso será abordado mais adiante. Até a próxima 😉

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