Anos 40 – A moda e a Segunda Guerra Mundial

Tempos de Guerra: A saia-calça para facilitar a utilização de bicicletas

Após uma década difícil de crise, as coisas pioraram ainda mais com o início da Segunda Guerra Mundial em 1939. Considera-se o ponto inicial da guerra como sendo a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista em 1 de setembro de 1939 e subsequentes declarações de guerra contra a Alemanha pela França e pela maioria dos países do Império Britânico e do Commonwealth.

A Guerra durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do mundo organizadas em duas alianças militares opostas: os Aliados e o Eixo. Contou com mais de 100 milhões de militares e os principais envolvidos dedicaram toda sua capacidade econômica, industrial e científica a serviço dos esforços de guerra, deixando de lado a distinção entre recursos civis e militares. Ocorreram muitos ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal e triste da história da humanidade, com mais de setenta milhões de mortos.

Em tempos assim, como se pensar em algo tão “trivial” como a moda? As pessoas estavam preocupadas em sobreviver, escondendo-se em abrigos, vivendo em constante tensão e medo. Moda era a última das preocupações, mas, períodos assim pediram por novas mudanças no modo de se vestir.

Mais uma vez, com os homens nos campos de batalha, as mulheres tiveram de mostrar sua capacidade de superação de tempos difícieis. Durante a Primeira Guerra muitas começaram a trabalhar, e agora não seria diferente. A mão-de-obra ligada às confecções de roupas se tornaram limitadas, obviamente, e o período era de restrições.

 

Até mesmo Madeimoselle Chanel, que mantinha um grande sucesso desde a década anterior, fechou seu atelier e viajou discretamente para o sul, enquanto a França se via tomada pelos combates. Chanel só reabriu seus ateliêrs com o fim da guerra, mantendo aberta apenas sua butique da Rue Cambon, onde os soldados alemãs vinham se abastecer de nº 5 (que já havia sido lançado e era um grande sucesso).

 

A alta costura da época se encarregou de manter o figurino das madrinhas de guerra (mulheres que se encarregavam de animar os combatentes com presentes e cartas) austero e elegante. Porém a falta de materiais disponíveis levou a um inevitável racionamento – as regras de racionamento, impostas pelo governo, que também limitava a quantidade de tecidos que se podia comprar e utilizar na fabricação. A escassez de tecidos fez com que as mulheres tivessem de reformar suas roupas e utilizar materiais alternativos na época, como a viscose e as fibras sintéticas.

Os cabelos se tornaram mais longos que na década anterior, devido à falta de cabelereiros – afinal a vida não corria seu curso normal – e as mulheres passaram a prender os cabelos com grampos, ou modelá-los em cachos, utilizando também lenços nos cabelos. A guerra mudou completamente a estrutura da indústria da moda. Durante a guerra, Inglaterra e Estados Unidos não podiam se inspirar em Paris no que tange à moda. Os estilistas parisienses haviam perdido sua liberdade de expressão e criação, além de muitos tecidos não serem mais encontrados no mercado ou se tornado muito mais caros como a seda e a renda por exemplo.
Durante a Ocupação as roupas das parisienses se tornam mais pesadas, sérias, e as solas dos sapatos também. Calçados com sola de madeira começam a ser produzidos. É o período que os tamancos usados por Carmem Miranda fazem grande sucesso.

A exuberante e alegre Carmem Miranda levava alegria às massas.

Durante a guerra, o chamado “ready-to-wear” (pronto para usar), que é a forma de produzir roupas de qualidade em grande escala, realmente se desenvolveu. Através dos catálogos de venda por correspondência com os últimos modelos, os pedidos podiam ser feitos de qualquer lugar e entregues em 24 horas pelos fabricantes.
Sem dúvida, o isolamento de Paris fez com que os americanos se sentissem mais livres para inventar sua própria moda. Nesse contexto, foram criados os conjuntos, cujas peças podiam ser combinadas entre si, permitindo que as mulheres pudessem misturar as peças e criar novos modelos.
A partir daí, um grupo de mulheres lançou os fundamentos do “sportswear’ americano. Com isso, o “ready-to-wear”, depois chamado de “prêt-à-porter” pelos franceses, que até então havia sido uma espécie de estepe para tempos difíceis, se transformou numa forma prática, moderna e elegante de se vestir. – Almanaque Folha

Paris é libertada em 1944 e alegria invadiu as ruas da cidade. Em 1945, foi criada uma exposição de moda, com a intenção de angariar fundos e confirmar a força e o talento da costura parisiense. Em 1947, o estilista francês Christian Dior, em sua primeira coleção, surpreendeu a todos com suas saias rodadas e compridas, cintura fina, ombros e seios naturais, luvas e sapatos de saltos altos. O sucesso imediato do seu “New Look”, como a coleção ficou conhecida, indica que as mulheres ansiavam pela volta do luxo e da sofisticação perdidos. O “New Look” se tomou o padrão da década que estava por vir, sobre a qual falaremos numa próxima vez.
Até lá 😉

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