Moda dos anos 70 – Paz, amor e psicodelia.

Nos anos 70 aconteceram coisas incríveis. Boas e más, mas importantes, que ficaram na história da humanidade. Movimentos culturais impressionantes, a antimoda que, inevitavelmente acabou virando moda. Os anos 70 foram tão, ou mais, coloridos que os anos 60, tão agitados quanto e repletos de idealismos. Enquanto a década de 60 ficou na memória como a grande época da revolução jovem, os anos 70 ficaram meio indefinidos.

Yoko Ono e John Lennon - Paz e Amor

Os jovens da década de 60 se tornavam os jovens adultos dos anos 70, e o que se pregava era paz e amor. “Faça amor, não faça guerra”. O amor livre, a libertação sexual, experimentação das drogas, reclamação do direito das mulheres, tudo isso chega às massas. Homossexuais – antes temerosos das perseguições – começam a exprimir suas diferenças e revindicar seus direitos perante a sociedade. É uma revolução social crescente e de extrema importância histórica. Movimentos políticos diversos, as “minorias” oprimidas anseiam por seus direitos e realização pessoal.

Faça amor, não faça guerra

As anteriores formas de vida – família bem estruturada e certinha, a rigidez social – tudo começa a ser questionado e considerado falso. A busca por novas maneiras de se viver gera uma insegurança geral.

No início da década de 70 chega ao fim a polêmica guerra do Vietnã – evento muito festejado por aqueles que pregavam a paz e o amor – e chegava a crise do petróleo provocando a queda do dólar. Existia um certo clima de decadência.

A moda acompanha o ritmo frenético dos acontecimentos. Os hippies, mesmo sem querer, ditam moda. Eles que apenas pregavam a paz, o amor, a celebração da natureza, não seguiam moda, se vestiam de maneira livre, se adornando com maquiagem colorida, estampas floridas, sandálias, homens deixavam seus cabelos crescerem, as roupas eram basicamente de materiais naturais como a lã e o algodão.

A classe média gostou do que viu e tratou de copiar. Regras da moda caíram por terra, a liberdade de vestir, de ser e de pensar era a lei. Cada um se vestia do jeito que mais gostava. O jeans toma conta das ruas e a partir daí não existia uma só pessoa que não os usava. Os jeans eram peças universais, unisex. Ídolos como Janis Joplin ou Jimmi Hendrix agregavam ao guarda-roupa peças nostálgicas dos anos 20 e 30, como os chapéus desabados, veludos, cetins e estolas de pluma, que viravam manias entre os fãs.

Janis Joplin e Jimi Hendrix

Peças feitas a mão eram as preferidas e tinturas especiais como o “tie-dye” e os trabalhos de “patchwork” eram praticamente marca registrada do estilo hippie. Túnicas (batas), micros e maxi saias, calças boca de sino, plataformas e o jeans de preferência surrado e cheio de enfeites.

Boca de Sino

Os cabelos eram ondulados ou cacheados, o black-power ganha espaço e a soul music marca e propaga o movimento de emancipação negra nos Estados Unidos.

O Rock n’ Roll mais pesado, a apologia às drogas (sex, drugs, and Rock n’ Roll), o movimento punk. Tudo isso foi tomando espaço na segunda metade da década de 70, combinando com o clima de protesto constante. A ideia era chocar, subverter. Desordem, protestos e multiculturalismo. Década da contracultura, do underground, dos jornais, revistas, livros e discos independentes. Também chamada de “a década do eu” em que as pessoas se sentiam perdidas, vazias, tentando encontrar melhores maneiras de se viver depois da decepção na tentativa de mudar o mundo. O idealismo perde a força, e os protestos se tornam um grito de socorro. Muitos passaram a década se drogando, numa tentativa de escapar do grande descontentamento que o período inspirava, preencher o vazio interior.

“Junto com a modernidade da época, sobreviveram em pleno auge super bandas de hard rock como Led Zeppelin e Black Sabbath. O rock pesado vivia seu grande momento e por um lado a androginia o influenciava em sua forma de comportamento, vide Mick Jagger, que vivia soltando a franga… Outras grandes figuras que escandalizaram a década de 70 foram Rod Stewart (quem diria, hoje ele é quase um careta!), e o ícone David Bowie, em seus áureos tempos femininos.

A androginia faria nascer aqui no Brasil o mais famoso e efêmero grupo muscial do país: os Secos & Molhados. Mesmo desfeito em 1974 (só um ano após sua formação), permitiu à sua estrela Ney Matogrosso continuar mexendo com os corpos e principalmente com as cabeças de todos e todas.

O rock progressivo também viveu seu grande momento com Emerson Lake & Palmer, Yes e Pink Floyd. Foi nessa safra que surgiu o Queen, um dos primeiros grandes exemplos do rock de arena, ao lado do Fleetwood Mac, veteranos dos anos 60 ainda vivendo seu auge. Mais ou menos nessa mesma época começa a aparecer nas paradas mundiais o supra-sumo da papa açucarada doa anos 70, o grupo ABBA, uma das mais bem-sucedidas invenções da década.”  – Portal São Francisco

Infelizmente é impossível falar dos anos 70 em um só artigo. Este post é somente uma introdução, pois há ainda muito o que falar, de tão conturbado que foi o período. Falta falar dos grandes festivais de música (como o Woodstock), aprofundamento no movimento hippie, punk, rock progressivo, e muito mais. Aguardem!

 


Clipe com a música Age Of Aquarius (Era de Aquário) do filme Hair (1979), legendado em português. O filme mostra bem a moda e o comportamento da década de 70.

Fontes: Baudot, François – Moda do Século.
Seeling, Charlotte – Moda, O século dos Estilistas.

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