Branca de Neve e o Caçador – impressões e figurino

De uns tempos pra cá as coisas andam mudando até mesmo nos contos de fadas. O conceito de princesa ser uma donzela indefesa já é coisa do passado e isso se vê em alguns longas animados da Disney (como A Princesa e o Sapo e Enrolados), na série Once Upon a Time, no recém lançado filme Branca de Neve e o Caçador, e até mesmo no bobinho (e muito fraquinho) Espelho, Espelho Meu. O fato é que nos três últimos citadosBranca de Neve não deixa barato as maldade da Rainha Má, aprende a lutar e chuta bundas até retomar seu reino, com ou sei ajuda de príncipe encantado.

Ser bonita, inteligente, traçar estratégias, forte e destemida é tendência. Sempre cantei essa pedra e confesso sentir um certo orgulho de fazer parte do time das “sem frescura”.

Em Branca de Neve e o Caçador, a protagonista está longe de ser a mais linda do reino. Vamos ser sinceros. Kristen Stewart não é bonita. É no máximo bonitinha e tá sempre com aquela cara de Maria pobrezinha e sofredora. Linda mesmo é Charlize Theron no papel da rainha Ravenna. E nesse papel, o que tem de linda, tem de má. Nem a Regina de Once Upon a Time é tão ruim. Ela é a maldade em pessoa no filme e está impecável em seu papel. Seu requinte de crueldade é temperado por um indescritível desprezo por tudo e por todos e uma frieza sem fim. Interpretação de aplaudir de pé.

O filme é dos produtores de Alice no País das Maravilhas, o que explica uma série de coisas. A fotografia é espetacular, e os singelos efeitos especiais são indefectíveis. Bacana notar a relação do nome da rainha má (Ravenna) com o fato dela estar sempre acompanhada por muitos corvos (raven em inglês) e algumas vezes se transformar em um bando deles. As cores dos elementos do filme são fortes e constrastantes representando com perfeição cada momento, cada sentimento, o bem e o mal, a desolação e a esperança, o branco puro da neve manchado por gotas de sangue de vermelho intenso.

“Lips red as blood. Hair black as night. Bring me your heart my dear, dear Snow White.” – Rainha Ravenna

Branca de Neve e o Caçador está longe de ser um filme infantil e bobinho como Espelho Espelho Meu (Mirror Mirror). É um filme forte, com cenas de guerra, lutas e injustiças e mostra como Branca de Neve pode ser pura de coração e doce, mas ao mesmo tempo uma líder corajosa e justa. Sem mimimi. Só faltou mesmo ser mais bonita. Desculpem, mas por mais legal que a Bella de Crepúsculo possa ser, bonita ela não é nem com muita boa vontade, muito menos a mais bela do reino. Não é à toa que o figurino da Branca de Neve é praticamente de um menino.

O figurino criado por Colleen Atwood é um espetáculo a parte. As criações são cuidadosas e cheias de significado. Branca de Neve, tendo passado por poucas e boas, tem um figurino feito de camurça com detalhes em bordado e metal para simbolizar realeza. Por baixo da saia, calças de couro e botas. Ela usa também armadura para liderar seu exército.

As vestimentas de Ravenna por sua vez são cheias de elementos que refletem a morte, como estruturas feitas de finos ossos em seu vestido de noiva, asas e chifres de besouros, penas de pavão transformadas que mais se parecem com as de corvos, e assim por diante.

As roupas do caçador (o lindo Chris Hemsworth), são basicamente feitas de pedaços de couro de búfalo costurados uns aos outros e lã rústica artesanal. Dêem uma olhadinha no vídeo abaixo, apresentado por Charlize Theron e legendado, que fala exclusivamente do trabalho de Colleen para esta superprodução. Além dos guarda-roupas dos personagens principais, a figurinista explica o processo de criação das armaduras dos diferentes exércitos do filme.

Algumas fotos.

Assista também ao trailler.

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