Hades – o senhor do submundo

Zeus ficou com os céus, Poseidon ficou com o mares e a Hades coube o mundo subterrâneo.

Hades, que fecha a tríade dos três grandes, é considerado por muitos um deus mau. Não é bem assim. Muito pior Ares, que incitava as guerras sangrentas e curtia bastante cuidar pessoalmente da morte de soldados e civis, mandando suas almas para Hades julgar.

Mas, por causa de seus domínios, Hades era muito temido pelos mortais sim, afinal ninguém sabe o que acontecerá conosco após a morte, e este medo também existia entre os gregos.

Nas histórias, Hades, como deus supremo do submundo, julgava todas as almas que vinham a seu encontro. Hades não era a morte em si, ele não ia buscar almas. Ele apenas as recebia, e precidia o julgamento das mesmas, determinando se deveriam passar a eternidade pagando pelos seus erros ou se seriam tratados de forma mais branda. Raramente deixava o mundo das sombras, e quando fazia usava um elmo que lhe proporcionava invisibilidade. Era um deus discreto e quieto no canto dele e raramente interferia nos assuntos dos mortais e do Olimpo. Ao contrário do que é contado em Percy Jackson e no filme Fúria de Titãs.

Hades em Percy Jackson
Hades em Percy Jackson
Ralph Fiennes como Hades em Fúria de Titãs
Ralph Fiennes – vulto Voldemort – no papel de um Hades malvadão e amargurado em Fúria de Titãs

Uma das poucas vezes que deixou o submundo foi por amor. Um dia observando lá de baixo a superfície, viu pela primeira vez a filha de sua irmã Deméter, a bela e pura Perséfone, que colhia flores. A jovem e bela deusa, filha de Deméter (deusa da colheita), se ocupava principalmente da flora . Hades ao observar sua beleza, se apaixonou perdidamente e quis fazê-la sua rainha. Foi até Deméter e pediu à irmã que concedesse à ele a alegria de casar-se com Perséfone. Mas Deméter não queria este casamento, pois sabia que, uma vez indo para o submundo, Perséfone não retornaria de lá e ela não poderia mais ver a filha.

Hades, com seu coração apaixonado, não se deu por vencido e, diante da recusa, esperou que Perséfone estivesse sozinha e a raptou com sua carruagem sombria levando-a para o seu reino, o reino dos mortos. Quando Deméter se deu conta do sumiço de sua filha, começou a procurá-la pelos quatro cantos do mundo, desesperada, até que descobriu o que aconteceu. Com isso entrou em profunda tristeza, e foi nesse momento que o mundo conheceu o inverno.

Escultura de Bernini: O Rapto de Perséfone.
Escultura de Bernini: O Rapto de Perséfone. Nos detalhes, vemos o inseparável servo de Hades, Cerberus, o cão de três cabeças.

Antes só existia uma estação do ano, a primavera. As colheitas eram fartas, as matas verdejantes, e os jardins floridos. E quem mantinha tudo assim era Deméter. Com o rapto de sua filha, seu coração ficou em pedaços e a tristeza da deusa era refletida na natureza. Deméter foi até Zeus pedir sua ajuda, mas apesar de ter se apiedado da irmã, não havia muito que poderia fazer, uma vez que Perséfone havia comido a romã oferecida por Hades, fruto símbolo do casamento e que mantinha os dois unidos para sempre.

Como Deméter estava inconsolável, e com isso a situação dos humanos se tornava cada vez mais escassa – acabaram-se as colheiras e o mundo estava em um inverno que parecia não ter fim – Zeus conseguiu um acordo com Hades. Assim chegou-se a um acordo: Durante seis meses do ano Perséfone ficaria com seu marido no submundo. E durante os outros seis meses Perséfone passaria junto à mãe.

O período passado com Deméter corresponde à Primavera e ao verão, e o período passado com Hades – quando Deméter cai em tristeza novamente – corresponde ao Outono e ao Inverno.

Ao contrário do que pode se pensar, apesar de sentir falta do mundo aqui de cima, Perséfone vive feliz com o marido no submundo. Ela o ama e o respeita e tem a sorte dele ser o mais fiel dos 3 poderosos irmãos, dois dos quais adoram uma pulada de cerca. Vale ressaltar que, ao contrário do que é mostrado em Percy Jackson também, Perséfone é doce e meiga, bem diferente da ninfomaníaca mostrada no filme. 🙂

Mas voltando a Hades. O deus foi representado nas esculturas sempre muito parecido com Zeus e Poseidon. Ele não era muito retratado pelos artistas devido ao medo, mas se justificava também pela sua invisibilidade. Das poucas vezes que foi representado era como um deus muito sério (um pouco aborrecido), de cabelos espessos e barba longa como a seus irmãos, mas sem quase ornamento algum e acompanhado de seu cão de três cabeças, o temido Cérbero. Este era o cão que protegia os portões do submundo, impedindo que almas saíssem de lá sem permissão.

Estátuas representando Hades
Estátuas representando Hades

 

Semana que vem vamos falar de coisas mais amenas, afinal o Carnaval tá chegando e nada poderia combinar melhor com o carnaval do que  Dionísio (Baco para os romanos), deus das festas, dos vinhos, da bebedeira, da alegria, e, por que não, do Carnaval. 😉

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