Dionísio – o deus do vinho

Baco, pintura de Caravaggio, na Galleria degli Uffizi, Florença
Se tem um deus que curtia uma bela festa, esse deus era Dionísio. Fruto de uma das milhares de puladas de cerca de Zeus, Dionísio era filho do senhor dos céus com uma mortal,a princesa de Tebas, Sêmele. O que faria dele um semi-deus se não fossem as peculiares circunstâncias de seu nascimento.

Zeus, esse sem-vergonha, havia se apaixonado por Sêmele e quando a engravidou disse a ela que pedisse o que quisesse, sob o juramento que não importava o que fosse, realizaria seus desejos. Hera sabendo de mais essa escapadela de Zeus, não deixou por menos. Confundiu a pobre mortal, fez com que ela suspeitasse de Zeus, e incutiu na cabeça da moça a ideia de pedir para Zeus se mostrar em sua verdadeira forma. Coitada. O fato é que os olhos humanos não suportariam ver todo o esplendor de um deus, mas Zeus não achou meio de quebrar sua promessa. Sua verdadeira forma, envolto em uma luz divina, com sua carruagem e trovões, fez com que Sêmele morresse instantaneamente. Ela estava grávida ainda de seis meses e, para salvar a vida do filho, Zeus o colocou dentro de sua coxa até que findasse o tempo da gestação.

No tempo do bebê nascer, ele entregou a criança para algumas ninfas que o criaram. Ao crescer se interessou pela cultura da uva. Foi o primeiro a plantar e cultivar as parreiras, assim o povo passou a cultuá-lo como deus do vinho.

Ele é aquele amigo de festa, sabe? Aquele que por onde passa leva babado, confusão e gritaria. Aquele amigo que vive bêbado, todo mundo tem um. Esse é Dionísio, um verdadeiro pudim de cachaça. Representado pelos artistas como um jovem sem barba, risonho (por causa do vinho, com certeza), alegre, festeiro, com cabelos cacheados, longos e desgrenhados, sempre levando uma taça e/ou cacho de uvas. Vestia pele de leopardo ou leão, ou aparecia nu. Na cabeça levava sempre uma coroa feita de pâmpanos, ou seja, a haste da videira, com suas folhas e frutos (uva).

Baco, de Leonardo da Vinci, no Museu do Louvre.

Estava sempre acompanhado de um longo séquito. Seus seguidores eram principalmente as ménades e os sátiros. As ménades era um grupo de moças bêbadas, enlouquecidas, que dançavam de maneira lasciva e não tinha o raciocínio claro. E os sátiros eram homens com pernas de bodes e chifres. Também loucos, bêbados e um tanto quanto cruéis em suas brincadeiras.

Dionísio tinha o nome de Baco entre os romanos. Suas seguidores eram conhecidas por bacantes e as festas em homenagem à Baco/ Dionísio levavam o nome de Bacanal.
Era algo muito parecido com o que vemos acontecendo hoje no carnaval. Muita gente bêbada, louca, ninguém é de ninguém e muito bunda lelê. Muito provavelmente Dionísio deve estar por aí com seu grupo de doidos nos bloquinhos do Rio de Janeiro tocando o terror no meio do povão. Porque é disso que o querido e bêbado deus gosta. Festa, babado e confusão.

O jovem Baco (1884) de William-Adolphe Bouguereau
O jovem Baco (1884) de William-Adolphe Bouguereau representando um verdadeiro bacanal
Bacchante (William-Adolphe Bouguereau, 1894)
Uma ménade (ou bacante), ligeiramente alegrinha.

Feliz carnaval galera! Usem camisinha.

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