História da Arte – Egito Antigo Parte 2

Vamos retomando aqui a série de História da Arte, dando continuação à arte do Egito antigo que é fascinante (para ver a primeira pate clique aqui). Hoje falaremos mais especificamente sobre as esculturas egípcias e um pouquinho das cores utilizadas por eles.

O material utilizado na concepção das esculturas era principalmente a pedra. Poderiam ser granitos, diorites, xistos, basaltos, calcários e alabastros. As esculturas eram principalmente de caráter religioso ou representativas do faraó, que no fim das contas não deixava de ter cunho religioso, visto que o faraó era considerado uma encarnação do deus.

As esculturas eram feitas da seguinte maneira: faziam-se relevos nas superfícies das pedras, ou faziam-se monolitos. Os monolitos continham figuras ou inscrições e eram frequentemente colocados nos interiores dos túmulos.

Os relevos escavados nas pedras eram muito utilizados nas superfícies externas das construções, com o intuito que os raios de sol quando incidissem sobre elas, dessem mais dramaticidade às figuras. As esculturas eram em sua maioria policromadas, coloridas, mas as que ficaram expostas ao tempo perderam seu colorido original. Aquelas que se encontravam dentro dos túmulos se preservaram um pouco melhor.

As esculturas não tinham tanta fluidez nos movimentos como as gregas já apresentavam. Eram bem mais rígidas, porém com proporção bem apurada.

estatua_de_Khaf-re_e_a_triade_de_Miquerinos_museu_do_cairo

Agora um pouquinho sobre as cores. As cores não tinham função apenas decorativa. Como praticamente tudo na arte egípcia, cada uma era dotada de significado. Abaixo uma relação que encontrei no wikipédia, das cores mais usadas e seus significados:

  • Preto : era obtido a partir do carvão de madeira ou de pirolusite (óxido de manganésio do deserto do Sinai). Estava associado à noite e à morte, mas também poderia representar a fertilidade e a regeneração. Este último aspecto encontra-se relacionado com as inundações anuais do Nilo, que trazia uma terra que fertilizava o solo. Na arte o preto era utilizado nas sobrancelhas, perucas, olhos e bocas. O deus Osíris era muitas vezes representado com a pele negra, assim como a rainha deificada Ahmés-Nefertari.
  • Branco : obtido a partir da cal ou do gesso, era a cor da pureza e da verdade. Como tal era utilizado artisticamente nas vestes dos sacerdotes e nos objetos rituais. As casas, as flores e os templos eram também pintados a branco.
  • Vermelho: obtido a partir de ocres. O seu significado era ambivalente: por um lado representava a energia, o poder e a sexualidade, por outro lado estava associado ao maléfico deus Set, cujos olhos e cabelo eram pintados a vermelho, bem como ao deserto, local que os Egípcios evitavam. Era a vermelho que se pintava a pele dos homens.
  • Amarelo: para criarem o amarelo, os Egípcios recorriam ao óxido de ferro hidratado (limonite). Dado que o sol e o ouro eram amarelos, os Egípcios associaram esta cor à eternidade. As estátuas dos deuses eram feitas a ouro, assim como os objetos funerários do faraó, como as máscaras.
  • Verde : era produzido a partir da malaquite do Sinai. Simboliza a regeneração e a vida; a pele do deus Osíris poderia ser também pintada a verde.
  • Azul : obtido a partir da azurite (carbonato de cobre) ou recorrendo-se ao óxido de cobalto. Estava associado ao rio Nilo e ao céu.

Na máscara de mortuária de Tutancâmon o ouro é bastante utilizado (praticamente toda a máscara é dourada), representando a imortalidade do faraó, a sua eternidade, que para os egípcios era como um deus. Nela também estão presentes as demais cores, com maior predominância (depois do dourado) o azul que representa o Nilo, um dos principais símbolos do Egito. A máscara é de incrível beleza, e o costume era moldar as máscaras mortuárias de acordo com o rosto do faraó. Com ajuda de computadores, uma reconstrução facial do faraó Tutancâmon foi feita e hoje um modelo em fibra de vidro está exposto no Museu de Ciência de Londres.

mascara_mortuaria_de_tutankamon

Outra famosa representação em escultura é a muito gata rainha do Egito Nefertiti. Pelo busto esculpido à sua semelhança podemos ver o quão ela era bonita. Inclusive, seu nome significava algo como “a bela chegou”. Ou seja, era gata.  O busto de Nefertiti é feito de calcário com cerca de 3.400 anos de idade. Uma curiosidade é que os egípcios tinham o costume de raspar todos os pelos do corpo, pois acreditavam ser algo de impuro. Eles se sentiam mais limpos raspando tudo. Então era comum usarem perucas para se protegerem do frio ou do sol. Assim, a peruca era um acessório de beleza, e muitas vezes, adornavam as perucas com contas e tranças para dar aquela estilizada. O busto de Nefertiti, porém, mostra a rainha de cabelo raspado, usando apenas a sua coroa, digamos assim.

busto_de_nefertiti

No próximo post da série falarei sobre as esfinges, as famosas esculturas que eram frequentemente usadas nas entradas dos templos egípcios, nos principais caminhos de acesso ao monumento. Decifra-me ou te devoro! Ui! Até lá. 😉

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