Mitologia – Narciso e Eco

Olá, queridos e queridas! Quanto tempo não? É o seguinte, como alguns de vocês que seguem a nossa fanpage lá no facebook, a autora que vos fala esteve doente e por isso essa ausência de posts. Mas hoje estou voltando, e, como toda segunda-feira, hoje é dia de mitologia!

E a grande ironia disto tudo, é que, quando adoeci, estava preparando um texto sobre Narciso, a representação da vaidade. Explico o porquê da ironia: como toda mulher, eu sou super vaidosa. Estava eu dando aquela ajeitada na sobrancelha no sábado antes do domingo de páscoa, quando notei uma espinha. Mexi nela, espremi, e o resultado disso foi que no domingo o lado direito do meu rosto inteiro estava inchado e eu não conseguia nem abrir o olho. Na segunda-feira (dia 01/04) fui parar no hospital e internada imediatamente. Diagnóstico: celulite facial. Gente, isso é extremamente perigoso, pois a nossa face tem todas as suas veias  ligadas ao cérebro e a infecção poderia ter ido pra lá, causando uma meningite ou coisa pior. As vezes pode ocasionar óbito.

Eu fiquei com o rosto desfigurado, parecendo o Slot dos Goonies. Mas isso foi o de menos, claro. Fiquei 8 dias internada tomando antibiótico intravenoso e fazendo compressas para finalmente ser feita a drenagem (sem anestesia!) de todo aquele pus que se fez. Quando tive alta fiquei mais 7 dias no antibiótico via oral e fazendo compressas que continuo fazendo para terminar de tirar o inchaço e meu rosto voltar completamente ao normal. O antibiótico me fez mal ao estômago, por isso, no total, foram 3 semanas: 1 no hospital salvando minha vida, 1 em casa ainda tomando remédios fortes, e mais uma (mesmo tendo voltado a trabalhar) me recuperando do efeito dos remédios.

Tudo isso por causa de uma espinha. Ou melhor, tudo isso por causa da vaidade. Então, meu alerta é: você é linda como você é. Não fique fazendo milhões de coisas mirabolantes pra mudar, que podem acabar afetando sua saúde. Não esprema espinhas. Apareceu? Passa uma pomadinha e deixa lá, porque aos pouquinhos vai sumir de novo. Você não estará feia por causa dela, mas se espremer, pode não só ficar desfigurada como acontecer algo muito pior. Pra morrer, basta estar vivo e foi isso que aprendi. E aprendi também que sou linda como sou e ponto.

Narciso (1594-1596), por Caravaggio.
Narciso (1594-1596), por Caravaggio.

Alerta feito, vamos ao que interessa: Narciso!

Vou contar pra vocês o mito de Narciso e Eco, e consequentemente as origens do termo “narcisista” muito utilizado na psicologia e tá na boca do povo também.

Narciso era um mortal lindo de viver. Lindo mesmo, um espetáculo, do tipo que faz as meninas suspirarem ao passar. Imagina o cara mais lindo que você  já viu na sua vida. Era ele. E ele sabia que era lindo e causava este efeito e gostava disso. O típico cara lindo, mas insuportável, que tem aos montes por aí. Desses que sabem usar o seu charme pra conquistar a próxima menina, usar, jogar fora, e depois escolher a próxima, e assim por diante. Ele se achava tão lindo, que se sentia quase um deus.

Um dia, uma ninfa que era uma graça, linda também, o viu passear pelo bosque onde ela morava e se apaixonou imediatamente. O nome dela era Eco, e ela era muito tímida. Além de tímida, Eco não falava. Só conseguia se expressar repetindo as últimas sílabas que seu interlocutor pronunciava.

Eco quando viu Narciso, se escondeu atrás de uma árvore, morta de vergonha e achando aquele cara o mais lindo do mundo. Narciso percebeu a presença dela, e  foi perguntando “- Quem está aí?”. A ninfa não conseguia responder a não ser por repetir “-Aí…”
Narciso perdeu a paciência e ordenou que a pessoa aparecesse. Eco, envergonhada saiu de trás da árvore e ele se aproximou. A olhou, achou bonita, mas a julgou tola por não falar nada além de repetir as últimas sílabas dele. E acabou a humilhando, e muito. Mandou que ela sumisse de sua frente e ela saiu correndo adentrando a mata e acabou definhando de desgosto e de humilhação.  A parte bonitinha dessa trágica história, é que dizem que ainda se pode ouvir a voz de Eco quando gritamos para dentro de uma floresta, ou de uma caverna, lugares que Eco gostava de frequentar e seu espírito de ninfa vive até os dias de hoje.

Eco e Narciso, de John William Waterhouse
Eco e Narciso, de John William Waterhouse

Como a ninfa era uma querida por todos, os deuses ficaram revoltados com a atitude do rapaz e decidiram castigá-lo.  O castigo seria que ele viveria as amarguras de um amor impossível. Desavisado, o rapaz nesses seus passeios pelo bosque, parou em lago para beber água. Ao se inclinar para pegar um pouco d’água, viu seu rosto refletido, e, sob o efeito da maldição dos deuses, se apaixonou pelo seu próprio reflexo.

Ele ficou tão encantado consigo mesmo, que se tornou obsessivo. Ele falava com aquela imagem refletida como se fosse outra pessoa, e toda vez que se inclinava para tentar beijar seu reflexo, quando seus lábios tocavam a superfície da água, a imagem se desfazia. “Por que foges de mim?” – ele perguntava sem obter resposta (burrico né?). E ali ficou, na beira daquele lago, contemplando sua própria imagem. Não comia, não dormia, e não bebia água. Só queria ver seu reflexo. Acabou definhando ali mesmo. Na manhã seguinte de sua morte, no lugar de seu corpo estava uma flor. Esta flor passou a ser chamada Narciso e suas  cores geralmente variam entre o amarelo e o branco. Floresce no princípio da primavera e é frequentemente encontrada em solo úmido perto de uma lagoa.

Flor do Narciso

Eis a origem do termo “narcisista”. Alguém que é obcecado por sua própria imagem, excessivamente vaidoso e que se pudesse casava consigo mesmo. Não me entendam mal, meus queridos. Vaidade é bom sim, é bom se cuidar, se amar. Mas, como tudo na vida, o excesso é que traz prejuízos. Meu convite a vocês é o seguinte: Amem-se, cuidem-se, mas principalmente saibam que cada um tem sua beleza. Claro que é importante sempre buscar melhorias, mas é necessário a sabedoria para saber quais são seus limites e aceitar aquilo que não pode ser mudado. Vamos ser feliz sem neuroses! Que tal?

Até a próxima! 😉

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